quarta-feira, 21 de março de 2018

Daltonismo

Daltonismo



     O que é o daltonismo?


     O daltonismo, também conhecido como discromatopsia, é um distúrbio visual caracterizado pela incapacidade de percepção e distinção das cores primárias (como vermelho e amarelo), além do azul e verde. Em casos mais raros, a total ausência de cor se faz presente. Estudos realizados determinaram que o olho humano é capaz de distinguir mais de 150 tons de cores diferentes, no entanto, esse número diminui aos daltônicos, pois eles não diferenciam suas misturas.
     A causa apontada foi uma alteração genética hereditária ligada ao cromossomo sexual X, de forma que não tem cura e atinge mais homens, já que possuem somente um cromossomo X, enquanto as mulheres possuem dois. Estatísticas estimam que cerca de 8% da população mundial masculina e menos de 1% da população feminina são portadores do distúrbio.


     Como funciona?

     A retina é a parte do olho onde imagens são formadas e, posteriormente, transmitidas ao cérebro através do nervo óptico. Numa retina normal, existem dois tipos de células sensíveis à luminosidade: os cones e os bastonetes.
     Os bastonetes são responsáveis pela visão noturna e não são sensíveis à diferenciação de cor. Já os cones possuem três tipos: o tritan (azul), deuteran (verde) e o protan (vermelho), responsáveis pela visão diurna e a percepção das cores. Todos os tons existentes derivam da combinação dessas três cores primárias, de maneira que a ausência ou mutação desses receptores irá causar os sintomas do daltonismo.

     Tipos de daltonismo

     Divididos em três grupos, existem sete tipos de manifestação da doença. São eles:

Monocromacia

     Um tipo raro de daltonismo e que afeta os três receptores de cores. Também chamado de visão acromática, restringe os daltônicos à distinção do preto, do branco e dos tons de cinza, ocorrendo, assim, apenas a percepção de luminosidade, sem a presença das cores.

Dicromacia

     Redução ou deficiência total de um dos receptores de cor. A dicromacia também pode apresentar deficiência em dois tipos de receptores e causar a distinção em somente uma das cores em geral, o verde ou vermelho.
     Esse grupo de daltonismo pode se apresentar das seguintes formas:

-Protanopia
     A protanopia é o tipo mais comum de daltonismo, caracterizado pela ausência dos receptores protan, que impossibilita identificar tons vermelhos e seus derivados. A pessoa enxerga em tons bege, marrom ou cinza, o vermelho e o verde tendem a ser semelhantes, e as cores aparentam ser mais escuras do que realmente são.

-Deuteranopia
     A deuteranopia é a ausência dos receptores deuteran, que impossibilita identificar os tons verdes. Semelhante a protanopia, a pessoa também enxerga em tons marrons.

-Tritanopia
     A tritanopia é o tipo mais incomum entre as dicromacias, caracterizado pela ausência dos receptores tritan, que impossibilita identificar os tons de azul e o amarelo. Nesse caso, os daltônicos veem as cores em tonalidades diferentes, semelhantes ao rosa-claro.

Tricomacia anômala

     Redução parcial de um  dos receptores de cor, onde a pessoa enxerga as cores, mas com contraste e saturação diferentes. Pode se apresentar das seguintes formas:

-Protanomalia
     A protanomalia é a deficiência parcial dos receptores vermelhos. Embora ainda seja possível distinguir alguns tons entre o vermelho e o verde, a protanomalia resulta numa sensibilidade menor e no escurecimento dessa cor e semelhantes. Pode gerar confusão entre o vermelho e o preto.

-Deuteranomalia
     A deuteranomalia é a deficiência parcial dos receptores verdes. É responsável por grande parte dos casos de daltonismo e resulta na dificuldade em discriminar o verde.

-Tritanomalia
     A tritanomalia é a deficiência parcial dos receptores azuis, o que prejudica a identificação de cores na faixa do azul e amarelo.

     O que causa o daltonismo?

     O daltonismo é uma anomalia genética ligada diretamente ao cromossomo X, o que a torna rara em mulheres por possuírem dois cromossomos X. A pessoa se torna portadora do gene defeituoso e pode transmiti-los para seus descendentes. Quando ambos os pais possuírem os genes danificados do daltonismo, sua filha também apresentará a anomalia. Em homens, no entanto, receber um cromossomo X danificado é o suficiente para torná-lo portador do daltonismo.
     Nos casos raros, o daltonismo é um defeito adquirido ao longo dos anos e não uma herança genética, de forma que pode regredir ou estabilizar desde que a causa seja devidamente tratada. Outros fatores também podem danificar as células da retina, causando deficiência visual das cores, tais como:

Doenças
     O daltonismo pode ser uma condição adquirida a partir de alguma doença ou lesão à sua retina, como:
  • Lesões neurológicas;
  • Tumores cerebrais;
  • Traumas ópticos;
  • Diabetes;
  • Glaucoma;
  • Esclerose múltipla;
  • Mal de Parkinson;
  • Doença de Alzheimer;
  • Catarata;
  • Anemia falciforme;
  • Síndrome de Kallman;
  • Alcoolismo crônico;
  • Leucemia;
  • Neuropatia óptica hereditária de Leber (LHON).
Medicamentos
     Certos medicamentos podem causar alterações na visão, como alguns utilizados para tratar problemas cardíacos, pressão alta, disfunção erétil, infecções e distúrbios nervosos.
     Outros medicamentos também podem causar problemas no nervo óptico e acarretar a dificuldade em ver algumas cores, são eles:
  • Antipsicóticos: Clorpromazina (Amplictil) e Tioridazina (Melleril);
  • Antibiótico: Etambutol (Myambutol)
Outros fatores
     Produtos químicos tóxicos, como o estireno e o dissulfeto de carbono, e o processo natural de envelhecimento podem contribuir, também, para a deterioração da capacidade de distinguir cores.

     Fatores de risco

     O daltonismo é hereditário, ou seja, caso algum familiar tenha histórico da doença, o indivíduo tem chances de também possuí-la.
     Por ser uma doença recessiva, o daltonismo só irá se manifestar em pessoas que tiverem uma alteração em todos os cromossomos X presentes no corpo. Ou seja: a mulher precisa herdar o cromossomo alterado tanto do pai quanto da mãe, enquanto que o homem só precisa herdar o X alterado da mãe, uma vez que estará recebendo o cromossomo Y do pai.

     Sintomas do daltonismo

     Em alguns casos, os sintomas podem variar e serem pouco perceptíveis, no entanto, é comum o diagnóstico ocorrer na idade escolar das crianças. Os pais e professores devem ficar atentos se elas apresentarem dificuldade em distinguir as cores ou a incapacidade de ver tons da mesma cor. Raramente, o daltonismo também pode provocar movimentos oculares rápidos.

     Diagnóstico para daltonismo

     Ao suspeitar de problemas para distinguir certas cores básicas, deve-se consultar um oftalmologista para ser realizado um diagnóstico concreto e as possíveis causas para ter a doença. É importante que crianças recebam exames oftalmológicos antes de começar a escola.
     Existem quatro métodos para diagnosticar a presença do daltonismo e determinar a forma que a doença está afetando a percepção das cores no paciente. São eles:


Anomaloscópio de Nagel

     Consiste em um aparelho que emite uma luz amarela na metade do campo visual, enquanto a outra metade é iluminada por diversas luzes monocromáticas verdes e vermelhas. O paciente deverá mexer nos botões de ajuste e tentar igualar as tonalidades dos dois campos visuais, alterando a intensidade das cores. Através da comparação entre a tonalidade real das cores e a visualizada pelo paciente, o médico determinará o grau e o tipo de daltonismo.

Lãs de Holmgreen

     Consiste em pequenas lãs coloridas pintadas em cores ligeiramente diferentes, que o paciente deverá separá-las em grupos conforme determinado em um gabarito. O laudo médico é determinado de acordo com a distorção da ordem das cores.

Teste de cores de Ishihara

     O teste de cores de Ishihara é o principal método utilizado para diagnosticar a doença e consiste no uso de cartões pontilhados em várias tonalidades diferentes. Letras, números ou figuras geométricas no caso de crianças não alfabetizadas são desenhados no centro do cartão, que contém vários círculos feitos de cores diferentes das cores situadas em sua proximidade. A figura do centro é facilmente identificada pelas pessoas com visão normal, porém um daltônico terá dificuldade em visualizá-las.



Teste de tonalidades Farnsworth-Munsell 100

     Consiste no uso de um conjunto de blocos ou pinos de cores aproximadas, mas em tons diferentes. O teste mede a capacidade de diferenciar mudanças sutis de cores ao organizá-las em ordem de tonalidade, da mais clara à mais escura.  A princípio, ele é mais utilizado em ramos industriais que dependem da capacidade de percepção de cores dos seus funcionários, tais como design gráfico, fotografia e inspeção da qualidade dos alimentos.


     Tratamento e cura

     O daltonismo não evolui, porém ainda não apresenta cura ou tratamento específico para os portadores do distúrbio. Entretanto, existem medidas que podem melhorar as limitações de visão dos pacientes.
     Existem óculos e lentes especiais para daltônicos que agem de forma seletiva quanto à passagem de luz, melhorando a percepção e distinção de cores semelhantes.
     Há também ferramentas feitas de filtros coloridos que, ao olhar através delas, mais cores poderão ser distinguidas. Podem ser utilizados, em algumas tarefas específicas, em determinadas profissões ou para auxiliar em situações no cotidiano.


     Convivência e adaptação

     Caso tenha algum histórico familiar de daltonismo, crianças devem ser testadas para garantir se não são portadoras da doença, uma vez que os pacientes podem apresentar algumas limitações no cotidiano, como dificuldade em combinar cores das roupas ou escolher frutas maduras. Entretanto, o indivíduo pode realizar algumas adaptações para melhorar sua qualidade de vida.
     Na idade escolar surgem as primeiras dificuldades com cores, como em desenhos e mapas, e os responsáveis devem ficar atentos a essas circunstâncias para não constranger a criança que alega ver cores diferentes de seus colegas. As escolas devem promover alterações nos materiais para disponibilizar informações aos alunos com dificuldade em distinção de cores. Lápis de cores também podem ter o nome de cada cor gravado de modo a facilitar sua identificação.
     Algumas profissões que exigem visão perfeita como piloto de avião não são recomendadas a portadores de daltonismo. No entanto, de pouco interfere o portador possuir carteira de motorista, uma vez que é possível associar a posição e cores das luzes do semáforo e assimilar seu significado.
     A leitura e entendimento de gráficos coloridos e textos sublinhados são, muitas vezes, prejudicados de acordo com o esquema de cores utilizados. Por isso, navegar em websites coloridos da internet pode ser desafiador para um daltônico. Atualmente, existem programas desenvolvidos que fazem transformações nas cores e colocam em posições diferentes, de forma a diferenciá-las e facilitar a navegação online para um daltônico.


     Prevenção

     Ao se tratar de uma herança genética, o daltonismo não possui formas conhecidas de prevenção. No entanto, quando for um defeito adquirido, pode regredir ou estabilizar desde que a causa seja combatida ou prevenida com antecedência a partir de exames frequentes.
     Para reduzir as chances de adquirir alterações na visão das cores, medicamentos devem ser utilizados somente sob a prescrição do médico.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Fertilização "in vitro"



Fertilização in vitro consiste no armazenamento de espermatozoides (cerca de 50 a 100 mil) ao redor de cada ovócito procurando ter pré-embriões de boa qualidade que serão transferidos para a cavidade uterina.
A fertilização in vitro começou uma nova era na medicina reprodutiva, quando em 1984 nasceu o primeiro "bebê de proveta" no Brasil. Desde então, esse desenvolvimento tem proporcionado sucessos progressivamente maiores, garantimdo felicidades a vários casais.


A fertilização in vitro é um tratamento muito eficaz para a infertilidade, mas é geralmente usada em casais que não conseguem ter filhos em um ano de tentativas mal sucedidas ou com um ou mais dos itens listados a seguir:

- Bloqueio das trompas de falópio ou aderência pélvica com distorção da arquitetura da anatomia. Mulheres que fizeram ligadura das trompas; assim como homens que fizeram vasectomia.

- Infertilidade por fator masculino severo ( baixa contagem de espermatozoides ou baixa motilidade ).

- Falha de 2 a 3 ciclos de inseminação intra uterina ou estimulação ovariana com coito programado.

- Idade materna avançada ou igual a 38 anos.

- Reduzida reserva ovariana - Uma dosagem de FSH no 3º dia da menstruação e uma contagem de folículos antrais são testes de "screnning" para avaliar a quantidade e a qualidade dos óvulos.

- Endometriose e infertilidade sem causa aparente.


  FERTILIZAÇÃO IN VITRO É DIVIDIDA EM;

-estimulação ovariana
-captação dos espermatozoide 
-fecundação assistida
-transferência dos embriões.

 A taxa de sucesso irá depender da idade da mulher, tem mais chances de sucesso se for nova até uns 30 anos com 70% de chances de sucesso de engravidar em uma tentativa.
No caso da infertilidade masculina pode ser uma opção sendo casos de azoospermia com armazenamento de espermatozoide.


Procedimentos:

Estimulação ovárica, através de medicamentos adequados (gonadotrofinas, como é ocaso de LH e FSH) e acompanhamento médico regular (exames de ultra-som transvaginal e dosagens hormonais seriados), de forma a controlar os efeitos dessa estimulação e definir o melhor dia para a coleta dos ovócitos. Cerca de 34 - 36 horas antes dessa coleta é aplicada uma injeção de gonadotrofina coriónica ( hormônio produzido pela placenta) que provoca a maturação ovocitária, vindo a permitir a sua captação por aspiração através de uma agulha especial. Essa captação é realizada com a ajuda do ultra-som trans vaginal, que auxilia o médico a guiar a agulha em direção aos folículos ovarianos durante o procedimento. Os ovócitos assim obtidos são encaminhados ao laboratório de embriologia, anexo à sala de coleta, onde serão classificados e ambientados em um meio de cultura especial, sob condições de temperatura e pressão constantes . Após 2 a  4 horas de ambientação numa estufa especial, os ovócitos estarão prontos para a fertilização. Quanto aos espermatozóides, são obtidos após uma coleta de por masturbação assistida, sendo cerca de 50 a 100 mil, com mobilidade progressiva rápida, para serem colocados ao redor de cada ovócito. Após cerca de 16-18 horas os ovócitos são observados para identificar o estado de fecundação e eventual progressão até pré-embriões de alguns deles. Forma-se o zigoto , a partir desse momento inicia-se a divisão celular para a formação do que denominamos pré-embrião. Assim, 24 horas , depois da fertilização teremos pré-embriões com 2 células, após 48 horas , teremos 4 células, após 72 horas  teremos 8 células e assim por diante, numa divisão célula progressão geométrica. A transferência desses pré-embriões para a cavidade uterina é então efetuada através de um fino tubo de plástico especial (catéter), após 2 a 5 dias da coleta dos ovócitos. . Assim, cerca de 10 a 12 dias após a transferência, fazemos o exame de sangue ( na mulher, para identificar se a gravidez está presente ).



A igreja católica se diz contra a fertilização in vitro, pois diz que "dissociam o ato sexual do ato criador. O ato fundante da existência dos filhos já não é um ato pelo qual duas pessoas se doam uma à outra, mas um ato que 'remete a vida e a identidade do embrião para o poder dos médicos e biólogos, e instaura um domínio da técnica sobre a origem e a destinação da pessoa humana'".